Depois da apresentação em Veneza da cópia restaurada de Udju Azul di Yonta, Flora Gomes revisita os sonhos da independência, a «geração dos pneus» e a Bissau que o filme guardou. Numa conversa sobre cinema, memória e futuro, fala da urgência de fazer chegar os filmes à Guiné-Bissau, do projeto dedicado a Amílcar Cabral e da confiança nos jovens para recuperar a bússola coletiva.
Afroscreen
28.09.2026 | por Marta Lança
O Campeonato Interbairros põe Bissau em movimento: reúne bairros, cria oportunidades de trabalho e faz do futebol um lugar de encontro. Mamadu Alimo Djaló recupera a lição de unidade de Amílcar Cabral para lembrar que a paixão pela bola não pode servir de distração perante a falta de respostas para a saúde, a educação, a agricultura e a justiça.
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24.09.2026 | por Mamadu Alimo Djaló
Nos 70 anos da fundação do PAIGC, José Luís Hopffer C. Almada revisita a luta pela independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde e o legado de Amílcar Cabral. Defende que a criação do PAICV, em 1981, pôs fim ao carácter binacional do partido e questiona a permanência de Cabo Verde no nome e na sigla do atual PAIGC guineense. O texto recorda ainda o papel decisivo da luta conduzida na Guiné-Bissau nos processos de descolonização e termina com uma declaração de solidariedade aos dirigentes do partido.
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23.09.2026 | por José Luís Hopffer Almada
Pensar a reprodução da vida a partir de Amílcar Cabral é pensar a terra, a resistência e as condições materiais da liberdade. Da Guiné-Bissau a Cabo Verde, da luta anticolonial às violências racistas do Portugal contemporâneo, o seu pensamento continua a ensinar-nos que defender a terra é defender o ser humano — e que nenhum povo se liberta sem organização, comunidade e djunta-mô.
Mukanda
08.09.2026 | por Benvinda Lima
Nas regiões semiáridas, como Cabo Verde, a primeira medida é o aproveitamento e a utilização, com o mínimo de perda possível, da água das chuvas, com o intuito de diminuir a velocidade do escoamento, reduzir o desgaste das terras e reter, na medida do possível, as mesmas águas, aumentando a disponibilidade hídrica.
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13.01.2026 | por Yussef B
No julgamento, apesar da tensão e das interrupções, muitas vezes claramente racistas, dos juízes, aproveitámos para explicar a razão pela qual defendíamos a independência de Angola e como as nossas vivências na colónia nos tinham conduzido a essa posição, aliás coincidente não apenas com a das Nações Unidas, mas até com as defendidas por Encíclicas papais. As acusações que me eram feitas, e que eram, a meu ver, ridículas – vou aliás lê-las – mereceram-me a pena de 20 meses de prisão, que me pareceu francamente desproporcionada, mas honrosa.
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27.05.2025 | por Diana Andringa
Todas as correntes e sensibilidades político-ideológicas, salvo quiçá a nacionalista moderada representada por Manuel (Lela) Rodrigues, parecem ter esquecido e ignorado (e/ou, talvez, até ter desconhecido) completamente o plano constante do Memorando do PAIGC apresentado ao Governo português, em Dezembro de 1960, e que, afinal, se aplicou em vários casos similares ao da ambiência democrática existente em Cabo Verde do período imediatamente posterior ao 25 de Abril de 1974 até aos inícios do mês de Dezembro de 1974. Perderam sobremaneira Cabo Verde e o povo caboverdiano, sobretudo em ganhos históricos de execução política de experiências em democracia pluralista. Não por causa de Amílcar Cabral, mas apesar de Amílcar Cabral e do seu plano de transição plenamente democrática para a nossa independência política, de matriz indubitavelmente democrático-liberal, hoje tão justamente incensada e festejada!
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02.02.2025 | por José Luís Hopffer Almada
sses acontecimentos demonstraram-se como sumamente necessários para uma catarse psicológico-cultural de amplas repercussões identitárias e político-ideológicas e, assim, para a total ruptura com o assimilacionismo colonial e a tutela assistencial portuguesa, considerada até aí, tanto em franjas extensas das camadas mais humildes e vulneráveis das populações, como também por importantes sectores das elites letradas, burocrático-administrativas, comerciais e fundiárias do povo das ilhas, como indispensável, senão insubstituível, para a viabilização da emigração caboverdiana para Portugal,
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22.12.2024 | por José Luís Hopffer Almada
Uma primeira expressão do fervor afro-crioulista, pan-africanista, pan-negrista, ecumênico e internacionalista de Amílcar Cabral encontra-se nalguns dos seus poemas mais icónicos e assume laivos de esfuziante entusiasmo quando, em 1949, toma conhecimento, através do amigo e camarada angolano Mário Pinto de Andrade, dos poemas negritunidistas de poetas francófonos reunidos e organizados por Leópold Senghor na 'Anthologie de la Nouvellhe Poésie Négre et Malgache', a qual contou com um marcante prefácio do filósofo existencialista francês Jean-Paul Sartre intitulado “Orphée Noir”.
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28.10.2024 | por José Luís Hopffer Almada
Por Cláudia Simões, Bruno Candé, Daniel Rodrigues, Danijoy Pontes, Giovani Rodrigues, Mumia Abu Jamal e todas as pessoas que ainda hoje enfrentam a brutalidade dos poderes capitalista, fascista, xenófobo, patriarcal, racista, afrofóbico e neocolonial.
Pelo direito de existir, resistir, circular e habitar.
Pelo trabalho digno, sobretudo das mulheres que trabalham no setor das limpezas.
Mukanda
20.09.2024 | por vários
Todos nós éramos
todos nós fomos
espelhos quebrados
alquebrados reflexos falantes
das deambulações dos nossos parentes
embarcados dos nossos familiares
emigrados no vasto mundo
dos seus eventuais encontros
com o filho mais velho
do professor Juvenal Cabral
e da costureira Iva Évora
desde há muito banido
das menções expressas na roda
das pessoas comprometidas
com o bem da nação
valente e imortal
por isso tão somente
sussurrado na sua
omnipresente ausência
e cumplicemente apelidado
como Aquele Homem
ou melhor dito e falado
como o Homem Grande
Mukanda
12.09.2024 | por José Luís Hopffer Almada
A Conferência foi muito boa, vamos ver a prática. Foi também um grande triunfo para o nosso Partido, para o nosso povo e a luta. No final, falei em nome de todos os ML, e toda a gente gostou imenso do meu discurso. Depois te contarei. Tive contacto com vários chefes de Estado, inclusive com o Imperador. Vou seguir amanhã muito cedo via Roma, e irei certamente a Stockholm por um ou dois dias, a fim de arrumar o problema da ajuda. Conto estar em casa dentro de uma semana, passando por Dakar. Escreve-me, se puderes.
Mukanda
11.09.2024 | por Amílcar Cabral
'Análise de Alguns Tipos de Resistência' reúne um conjunto de intervenções de Amílcar Cabral, um dos fundadores e líder histórico do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Tiveram lugar num seminário de formação de quadros do PAIGC, decorrido entre 19 e 24 de Novembro de 1969 na sede desse partido, em Conacri, cidade capital da República da Guiné (também conhecida como Guiné-Conacri).
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31.07.2024 | por Inês Galvão, José Neves e Rui Lopes
Durante os anos 90, o nosso imaginário da globalização inspirou-se frequentemente na paisagem urbana das grandes capitais ocidentais, mas o mundo de Amílcar Cabral oferece-nos uma visão diferente, onde têm lugar imagens da frente ribeirinha de Xangai, da vista panorâmica de Alger ou das ruas de Moscovo. Uma visão onde as próprias cidades icónicas da globalização celebradas no final dos anos 90 pela cultura política liberal revelam novos sentidos, como é o caso de Nova Iorque, com o seu bairro de Harlem, que uma e outra vez acolheu Fidel Castro e os seus discursos em que citava a palavra de Amílcar Cabral.
Mukanda
28.07.2024 | por José Neves, Victor Barros e Rui Lopes
Este artigo debruça-se sobre a tentativa da unificação de Cabo Verde e Guiné-Bissau entre os anos de 1975 e de 1980. Apresento uma breve explicação sobre a concepção do PAIGC no domínio da unidade Guiné-Bissau-Cabo Verde. Demonstro como a declaração da independência da Guiné-Bissau (1973) e Cabo Verde (1975) vai determinar a estrutura do PAIGC e, por conseguinte, as figuras para liderarem os dois novos estados soberanos. Falo do percurso da unidade e do golpe de estado de novembro de 1980 (Guiné) e da criação de Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV). Evidencio algumas lições para a construção da unidade africana atualmente.
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24.01.2024 | por Lumumba H. Shabaka
Conceito operatório chave no seu pensamento, por suicídio de classe entendia Amílcar Cabral a plena identificação do sector revolucionário da pequena burguesia intelectual e burocrático-administrativa com os interesses das classes trabalhadoras e das categorias sociais laboriosas mais humildes do povo e o seu consequente empenhamento nacionalista e revolucionário na defesa dos respectivos interesses. Fim essencial do suicídio de classe seria coarctar as naturais tendências da classe intelectual e burocrático-administrativa de serviços para o aburguesamento e para a concomitante construção de laços económico-sociais, políticos e culturais de dependência neo-colonial em relação às classes dominantes do centro desenvolvido e imperialista e/ou à potência economicamente atrasada, subdesenvolvida e sub-imperialista que era então Portugal.
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02.07.2023 | por José Luís Hopffer Almada
A reivindicação da liberdade de se apossar soberanamente do processo histórico, como realça o discurso cabraliano, será doravante entendida como sinónima tanto do resgate da dignidade africana do colonizado, por demais vilipendiada no seu direito básico de existir segundo a sua própria historicidade identitária e os seus próprios modelos culturais, como também de todos os pressupostos políticos e culturais da produção desalienada das condições de emergência de um ser humano reconciliado com as suas próprias história e cultura e liberto do estado de subjugação política, do atraso endémico, da miséria, do medo, do sofrimento e da ignorância resultantes da dominação colonial e do correlativo subdesenvolvimento crónico das ilhas.
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30.06.2023 | por José Luís Hopffer Almada
Realizador guineense da geração de Flora Gomes, estudou cinema em Cuba, filmou a guerrilha do PAIGC, foi director no Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual da Guiné-Bissau, e tem-se esforçado por resgatar e arquivar as imagens da luta de libertação, nos últimos 13 anos com a artista Filipa César com quem colabora em projectos artísticos e de intervenção. Fez de tudo para filmar, quase sempre em baixo orçamento, e caminhando quilómetros para ir buscar e mandar revelar película. Conta-nos a importante missão que Amílcar Cabral lhes delegou e como foi, a meio do processo, saber a esmagadora notícia do seu assassinato. Calhou-lhe como primeiro trabalho filmar Amílcar Cabral numa exposição em Conacri, em 1972, e depois a transladação do seu corpo para Bissau, capturando a comoção dos guineenses pela morte do melhor pensador e líder da resistência anticolonial. No encontro essencial com Chris Marker e Sarah Maldoror e, mais recente, com Filipa César, percebe que é possível trabalhar mais autonomamente.
Cara a cara
01.03.2023 | por Marta Lança
Cumprido o seu destino de orgulhosa sinalização da história e da dignidade resgatadas no nascimento de dois Estados-nação independentes e soberanos, e em prevenção do pesadelo que da utopia em sangue e ressentimento poderia entrementes coagular-se, foi esse hino envolto na bandeira verde-ouro-rubra da estrela negra, do milho e da concha da idiossincrasia caboverdiana, simbolicamente reencontrado e remetido para o lugar digno que, por direito próprio, deve ocupar no presente da estado-nação bissau-guineense, na memória colectiva da nação caboverdiana e na história e na actualidade do Partido Africano da Independência de Cabo Verde.
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08.02.2023 | por José Luís Hopffer Almada
“Reajustamento” nos seus assumidos e correlativos objectivos de manter no (ou de fazer alcandorar ao) poder e de reforçar o papel de quase todas as outras proeminentes figuras do regime de partido único vigente, desde que indubitavelmente bissau-guineenses (mesmo se mestiços, como Vasco Cabral, ou de origem cabo-verdiana (e geralmente denominados burmedjos), dando-se até o caso de um caboverdiano originário das ilhas, Manuel -Manecas- Santos, ter-se tornado figura proeminente do Conselho da Revolução, do novo Governo e do partido único bissau-guineense, depois de ter optado por aderir ao golpe de estado ninista, tendo inicialmente resistido ao mesmo golpe de Estado e se posto em fuga.
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01.02.2023 | por José Luís Hopffer Almada