«Não celebramos as pequenas mudanças»

«Não celebramos as pequenas mudanças» E se, de repente, nada mudasse? Em E Tudo Mudou, Carla Fernandes parte da observação dos filhos para convidar crianças e adultos a reparar nas pequenas transformações do quotidiano. Nesta conversa com o programa Bem-Vindos, a autora fala da literatura infantil como espaço de partilha, descoberta e formação emocional, onde os adultos também aprendem. Aborda ainda a colaboração com o ilustrador Alexandre Matos, que deu corpo à Mudança através de referências do candomblé, e a importância de escrever sobre temas profundos numa linguagem simples, sem perder a poesia.

Cara a cara

01.10.2026 | por Carla Fernandes

Fogo Amigo - parte 1

Fogo Amigo - parte 1 O meu adultecer foi uma transição triste: de um lado a rapariga punk que lutava para nunca ser igual (nem a si, nem aos outros), de outro lado a rapariga frágil e aflita que só queria ser acolhida. Já não confrontativa mas em conformidade. Como fazer isto sem ser cúmplice de tudo aquilo contra o que antes me tinha revoltado? Constituí-me num processo contra as instituições e contra um tempo heterossexual, apenas para perceber que o meu ódio à família só seria equiparado à minha necessidade absurda de família. Estudar, trabalhar, viajar, fazer amigas: tudo isto fazia parte de um projecto maior e mais abrangente que era ser mãe.

Vou lá visitar

14.01.2025 | por Patrícia Azevedo da Silva

Infância em tempos de guerra: Sarajevo, Luanda, Gaza I Um passo atrás

Infância em tempos de guerra: Sarajevo, Luanda, Gaza I Um passo atrás Talvez o esforço de reconciliação entre vítimas e agressores - dois lugares por vezes ocupados simultaneamente pelos mesmos sujeitos - não sirva para curar as feridas de quem viveu a fractura do conflito em si, mas sim para criar um espaço de possibilidade de re-invenção e reparação nas gerações futuras. Assim, o irreparável e o reparável podem coexistir no tempo dos vivos, com a condição inegociável de não deixar que o esquecimento apague aquilo que aconteceu, por mais insuportável que seja lembrar.

Mukanda

29.11.2023 | por Aline Frazão

Dias vagarosos, sem vagar

Dias vagarosos, sem vagar Viver o isolamento social e o decretado estado de emergência num espaço aberto e rural, acompanhando a agitação diária da infância, contradiz, e quase que insulta, o filme de terror sem autor nem nacionalidade, a que assistimos sete dias por semana, 24 horas por dia. Partilhar os dias com uma menina de três anos — feliz por ter os pais só para si e com as alegrias próprias à idade — torna esta experiência bela, onírica e plena de contradições. Respiremos, pois, os que ainda podem, durante o filme.

Mukanda

14.02.2021 | por Marta Lança