Ouço novamente o álbum. Todo. E é como se o Nástio me perguntasse: e se fossemos ainda mais angolanos? Se ouvíssemos mais a voz da sabedoria dos poucos que ainda a têm. Se nos autorizássemos a ter uma voz mais plural, e portanto a aceitar melhor a voz dos outros. Se nos sentássemos mais vezes a falar de outras coisas que não o carro, os dólares, as discotecas, as amantes, os whisky's. Seriamos menos angolanos? Seremos menos angolanos?
Palcos
14.08.2013 | por Ondjaki
Na preparação do debate de 16 de Março no Museu da Música, com o tema Viver a Música a Partir da ”Periferia (?)”, lembrei que vários estudos e abordagens sobre a vida cultural das favelas, assim como a crítica acerca da escassa representação
dominante de que elas têm sido alvo, são de há quase um século, embora esta fosse uma perspectiva quase nula do cenário mediático, cujo foco permanecia no tráfico de drogas e violência.
Cara a cara
10.03.2013 | por Soraia Simões de Andrade
No álbum de estreia "Grito de Liberdade" (interpretado 80% em inglês), apresentam uma espécie de manifesto contra as correntes neoliberais - com inclinação para a extrema-esquerda -, contra a gestão política sul-africana e a gestão política africana em geral, contra a influencia ocidental nas decisões políticas dos países africanos, contra a xenofobia e contra o racismo.
Palcos
08.03.2013 | por Tribo Sul
"O papel do músico, independentemente das práticas musicais e performativas que produz na sociedade actual, tem-se cruzado com dois géneros de intenções discursivas: as indispensáveis e as acessórias.
Indispensáveis; as clarificadoras, explicativas, com metodologias que trabalham na aproximação entre a sua actividade e os círculos de interesse, que o poderão trazer mais perto de um estádio de relação unicamente com aquilo que trabalha/faz (música) diminuindo tensão e fosso entre a importância do que faz e o público; acessórias as que sob o artifício da linguagem negligenciam a sua profunda compreensão e favorecem os compartimentos estanque."
Mukanda
21.01.2013 | por Soraia Simões de Andrade
Abordando a música como um ponto de conexão social numa cidade pós-colonial onde empreendedores culturais utilizam o termo político de lusofonia, busco compreender como alguns músicos migrantes oriundos de países ‘lusófonos’ em Lisboa interagem neste processo, aos níveis de comunidade, associações voluntárias e instituições governamentais. De maneira geral, a minha pesquisa mostra uma falta de reconhecimento pela contribuição de músicos migrantes de língua portuguesa à cultura expressiva de Lisboa.
Palcos
16.01.2013 | por Bart Paul Vanspauwen
A Galiza acolheu pela primeira vez estes colóquios que já passaram pelo Brasil, Macau, China e agora visitaram a terra berço da língua galego-portuguesa. O nosso mais sincero agradecimento a todas as pessoas que o tornaram possível.
Palcos
12.10.2012 | por Xurxo Nóvoa Martins
No rescaldo de uma conversa de há uns minutos, a propósito de um ensaio ("A Importância de Tratar o músico como profissional e não um animador") que escrevi para uma revista de solidariedade social, dei por mim a pensar que há ensaios que têm de ser manifestados oralmente. Aos que não lêem, porque se desabituaram, e aos que queriam ler mas estão, infelizmente, fisicamente incapacitados para o poder fazer.
Soraia Simões
muralsonoro.tumblr.com
Mukanda
16.08.2012 | por Soraia Simões de Andrade
Visitou estúdios nos musseques, conversou com produtores para alimentar a sua Akwaaba Music, uma plataforma digital que se dedica à música africana e cultura pop, dando visibilidade aos fenómenos de música que carecem de estrutura para chegar mais longe. Nos últimos 3 anos, Lebrave editou mais de 70 artistas de 15 países africanos e tem vindo a desenvolver uma rede global que abrange a produção de conteúdos, distribuição digital, marketing e licenciamento.
Cara a cara
11.07.2012 | por Marta Lança
De São Vicente para a cidade do Porto, do rock da banda "Freak", de Mindelo, para uma música mais eclética, aberta ao mundo, mas sempre cabo-verdiana. Este poderia ser um breve resumo do percurso do músico Elton Jorge Lima, de 31 anos, mais conhecido por Bilan que, depois de uma passagem pelos "Refilon", em Lisboa, e de ter integrado vários projectos musicais na Cidade Invicta, se prepara para lançar "Ilha", o seu primeiro CD.
Palcos
10.06.2012 | por Joaquim Arena
Aos 27 anos, Alcides Nascimento gravou "Pensamento", o único CD da sua carreira, produzido por Paulino Vieira. O efeito foi imediato. Era a grande revelação da música tradicional de Cabo Verde, decorria o ano de 1997. Um CD histórico, escreveram outros. A voz era a de um verdadeiro crooner da morna: grave, doce, suave, tranquila, um autêntico diamante em bruto que se revelava neste jovem com cara de bebé.
Palcos
06.02.2012 | por Joaquim Arena
Pode ouvir-se uma música ecoar de forma ubíqua em vários pontos do planeta, consumir-se alimentos idênticos, ver-se exactamente os mesmos filmes, assistir-se diariamente aos mesmos programas de televisão, acompanhar-se as mesmas notícias, entre muitos outros exemplos que poderíamos aqui evocar, mas tudo isto não significa que se tenha anulado a diversidade cultural e que se viva hoje num mundo necessariamente homogéneo.
Palcos
28.12.2011 | por José Alberto Simões
O artigo explora cenas musicais actuais em Lisboa, na perspectiva da circulação musical e cultural. Discute os modos como a música e as cidades interagem num contexto acrescido de inter-conexões entre o local e o global. Sugere que a criação e a performação musicais assim como a inovação cultural, não podem ser reduzidas às iniciativas locais ou institucionais. Na base da existência da assim chamada “cultura global”, as cidades reinventam-se, promovendo várias auto-definições (às vezes conflictuais). No caso de Lisboa, esta tendência é acompanhada por um desejo aparentemente acrescido de conectar ou re-conectar o mundo lusófono, que documenta eventualmente as auto-imagens de Lisboa como cidade inclusiva e multicultural. Neste processo, novas formas de etnicidade podem ganhar visibilidade na mercantilização da Luso-World music (ou seja, a World music praticada nos países lusófonos). No horizonte das cidades imaginadas como “megacidades transculturais”, a música tende a ganhar espaço na promoção dos sentimentos de lugar e pertença na, e à cidade.
Cidade
15.05.2011 | por Jorge de La Barre
Depois de largos anos levando o jazz consigo como uma “segunda” opção profissional, Jerónimo Belo pode dizer-se que deixou o que fazia para trabalhar o e com o jazz. Gegé Belo, como carinhosamente é tratado pelos seus próximos, assume-se como a voz e o rosto mais conhecido no sentido da sua divulgação em Angola, onde vê crescer, com notável agrado, o número de seguidores.
Palcos
06.02.2011 | por Adebayo Vunge
Miriam Makeba foi uma incansável activista política. Condenou o Apartheid em várias ocasiões, e chegou mesmo a depor perante a Assembleia Geral das Nações Unidas contra o regime político da África do Sul, uma honra que muitos poucos músicos tiveram. Não são todos os artistas que são chamados a conciliar arte com activismo político. Só muitos anos depois – foram 31 anos de exílio – é que regressa a África do Sul para a comemoração da libertação de Nelson Mandela. Canta, na sua voz melosa de menina, uma versão antológica de Soweto Blues.
Palcos
21.01.2011 | por António Tomás
Um Seun Kuti cheio de atitude e o ritmo forte e contagiante da banda “Egypt 80” (o conjunto dos anos 80 do seu pai, grande Fela) mostraram o que é animação. Seun herdou o jeito leopardo de se mover e a expressividade de Fela. E o Afrobeat é aquela mistura bombástica: jazz com rock psicadélico, música yorubá com funk, percussão africana e vários estilos vocais, uma batida energética com movimentos repetitivos, letras num acentuado pidgin inglês. Tudo isso encheu o público carioca de boas vibrações!
Vou lá visitar
02.09.2010 | por Marta Lança
Os Monstros tiveram um impacto bastante grande entre a juventude negra a nível das mentes. A sua auto-estima e os seus índices de confiança melhoraram bastante, pois, ao cantar Soul Music, música do negro norte-americano, estes passavam a mensagem de luta dado que aqueles eram conhecidos pelo uso da música como instrumento de luta, de denúncia e contestação ao sistema. Isto era feito de uma forma tão subtil e com uso de linguagem metafórica, que o poder colonial não se sentiu em nenhum momento confrontado, daí que o grupo tenha sido largamente aceite pelo establishment.
Palcos
05.07.2010 | por Rui Guerra Laranjeira