Em exibição no FIC Luanda a 29 de outubro, Amílcar, de Miguel Eek, aproxima-nos do homem através das cartas, dos afetos e das contradições que atravessam a luta de libertação. Entre a intimidade e a construção coletiva da independência, o filme abre também perguntas sobre as escolhas de quem conta esta história e o acesso aos arquivos que a guardam. Uma leitura de Marta Lança, acompanhada de uma entrevista ao realizador.
Afroscreen
23.10.2026 | por Marta Lança
Em A Dança das Máscaras, de Sara de Gouveia, o bailarino Atanásio Cosme Nyusi atravessa a história de Moçambique com o corpo, a voz e a capacidade de fabular. Entre a violência colonial, a libertação e a guerra civil, o Mapiko surge como uma arte que guarda memórias, transforma destinos e se reinventa na transmissão entre gerações. Preservá-la implica assegurar condições para que outros continuem a dançar.
Palcos
13.10.2026 | por Marta Lança
Em 2008 Samuel Chiwale escreveu sobre a contribuição deste movimento na luta anti-colonial. A tensão política destes movimentos está na génese da luta fratricida angolana que se seguiu, “o grande paradoxo da história de Angola e a fissura que levou o país para caminhos sinuosos e imprevisíveis, com consequências nefastas para as suas populações.” Para as quais a UNITA contribuiu. Chiwale, tentando por várias vezes ser conciliador, faz a distinção, dentro do MPLA, entre os que estiveram na luta, os guerrilheiros propriamente ditos, e os dirigentes que vinham à mata só para “tirar uma fotografia”.
Cara a cara
31.07.2021 | por Marta Lança
A intuição e sensibilidade são evidentes – as imagens denotam a qualidade da relação com as pessoas fotografadas, e o empenho em relevar todos os aspectos da luta em curso. Não obstante a reportagem estar enquadrada pelo militantismo da autora, nela destacam-se os retratos e a fixação de situações, simples ou disruptivas, do quotidiano dos guerrilheiros e povo no contexto da luta. Os manuais de alfabetização, as armas de uns e outro (também para cultivar os campos); a manutenção das mesmas; o(s) seu(s) uso(s) e integração dos gestos – da sua importância – num movimento, colectivo, de uma comunidade em luta pela sobrevivência e libertação, mas em que, nem por isso, Conchiglia deixa de olhar para as pessoas na sua singularidade.
A ler
26.07.2021 | por Maria do Carmo Piçarra
Arnaldo Santos é autor de dois livros editados pela Casa dos Estudantes do Império na década de 60, apesar de nunca ter estudado em Portugal. O escritor recorda os tempos em que nas férias levou mensagens de Lisboa para Paris, fazendo a ponte entre Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade que urdiam as independências africanas.
A ler
13.11.2014 | por Joana Simões Piedade
Amílcar Cabral era já, desde essa altura, um sério problema para autoridades colonias de Bissau e da metrópole. Aliás, pelo menos desde 1972, o nome do general Spínola é falado para a presidência da República, e, por isso, não pode regressar derrotado. Era para ele imperioso tudo fazer para inverter a situação militar, pelo que não é de descartar a hipótese de que o assassinato de Amílcar Cabral se enquadrasse nessa espécie de obsessão que levaria o Exército português, no início de 1973, logo depois do seu assassinato, a realizar uma série de violentas operações militares contra as regiões libertadas e algumas bases do PAIGC no Sul que, no entanto, vieram a revelar-se desastrosas.
A ler
04.02.2013 | por Leopoldo Amado