Júlia Barata: desenhar a memória, habitar a contradição

Júlia Barata: desenhar a memória, habitar a contradição "O que tento abordar não é mais do que experiências, pessoais ou próximas, e dilemas que me afetam hoje enquanto mulher, mãe, numa cultura urbana e ocidental, e tentar pôr no papel esses questionamentos e dúvidas." Da infância no Moçambique pós-independência à vida em Buenos Aires, Júlia Barata encontra no desenho um modo de interrogar a memória, o quotidiano e as relações. A propósito da sua adaptação gráfica de Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo, conversa com Tiago Lança sobre a representação da violência colonial, os feminismos do quotidiano e a liberdade de contar histórias sem lhes fechar o sentido. Pelo caminho, fala da aprendizagem coletiva na banda desenhada argentina e do desmantelamento cultural que testemunha no país onde vive.

Cara a cara

14.10.2026 | por Tiago Lança e Júlia Barata

Em defesa das membranas, ou homenagem a Lynn Margulis, “We are consortia”

Em defesa das membranas, ou homenagem a Lynn Margulis, “We are consortia” Esta ideia de simpoiésis, o fazer com, esta rede imbrincada de emaranhamentos, aparece sempre nestas histórias – e por histórias também quero dizer estas pequenas unidades de imagem que funcionam sozinhas ou em relação entre si – porque existe o tal awareness dos vários feixes, sobrepostos e simultâneos, que compõem a pessoa, e que são tão necessários reiterar no caso da pessoa-mãe, e que fica tão claro nestas narrativas, em que a intensidade da relação simbiótica entre as entidades mãe\filho também permite (e até vive de) outras histórias e outras vivências.

Corpo

28.09.2020 | por Patrícia Azevedo da Silva

Maternidade, Mãe, e o Monstro do Lago Mess

Maternidade, Mãe, e o Monstro do Lago Mess Estas neuroses tornaram-se um pouco a imagem de marca das mães recentemente: mães que são mães mas que, mais ou menos abertamente, sentem ou podem sentir, como a Júlia, que não querem ser mães o tempo todo. Ao tornarem-se marcas, as mães, ou uma ideia de mães, também se torna mercadoria, e há uma certa ideia de quotidiano – e de mãe - que é vendida.

Corpo

20.09.2019 | por Patrícia Azevedo da Silva